A dor crônica pode tornar os cães mais agressivos. Este é um problema comum relatado por proprietários que muitas vezes relacionam tal alteração a um problema de idade (por exemplo: "Agora que está mais velho ficou ranzinza e mal humorado... Vou tentar acariciá-lo ou brincar e ele ameaça me morder...").
Em geral, quando o animal possui um comportamento mais agressivo este se demonstra desde o início de sua vida.
Observando uma ninhada é possível, logo nas primeiras semanas de vida, identificar quais serão os filhotes mais submissos, os dominantes e os que tem uma maior tendência à agressividade. Esta pode ser facilmente controlada com a implantação de um bom programa de socialização e adestramento, transformando-os em excelentes cães de guarda na fase adulta, extremamente fiéis ao dono e de fácil manipulação, já que estarão habituados a receber comandos.
Independentemente do relacionamento entre o dono e seu animal durante os primeiros anos de vida e do tipo de temperamento deste, muitas vezes com a idade mais avançada este se modifica, e na grande maioria dos casos isto ocorre de forma lenta e progressiva com a instalação de afecções decorrentes do envelhecimento. Dificilmente estas alterações são diretamente associadas a um processo doloroso.
A dor aguda é facilmente identificada, quem não percebe os ganidos repentinos, a prostração repentina, o parar de comer e beber... Enfim, é um evento evidente que leva o proprietário a buscar socorro rapidamente no veterinário para descobrir o diagnóstico e solucionar o problema de seu companheiro.
Porém, o cão com dor crônica convive e se adapta a ela, os sintomas muitas vezes são sutis, ele pode parar de brincar, de correr atrás de bolinhas, não sobe mais no sofá, dorme mais, não pede mais para passear com o mesmo entusiasmo, deita durante o passeio, não gosta mais de ser escovado, passa a rosnar e muitas vezes até ameaça morder o dono quando este vai pegá-lo no colo ou simplesmente fazer um agrado, enfim, estas alterações não representam na verdade nenhuma dor evidente e mais parecem estar relacionadas a uma alteração de humor pelo envelhecimento.
Após conviver e tratar inúmeros cães idosos com dores crônicas observei que esta não é uma verdade absoluta. Existem modificações nas atitudes dos cães com a idade, mas com relação a se tornarem mais agressivos... Eles na verdade estão tentando comunicar aos seus donos que sentem dor, muito provavelmente o tempo todo!!!
Dores provenientes de artroses nas articulações, dos chamados "bicos de papagaio" na coluna, atrofias, etc. são exemplos do que pode estar acontecendo, por este motivo é imprescindível que estes animais com o passar da idade tenham um check-up periódico com o veterinário, para que estas afecções possam ser tratadas. Embora a maioria delas não possua uma solução definitiva, existem meios para minimizar o desconforto.
Na fisioterapia existem uma série de recursos que podem ser utilizados para promover uma melhor qualidade de vida para cães idosos, sem efeitos colaterais e que auxiliam no convívio com a afecção já instalada.
É sempre uma surpresa agradável para os donos e para nós quando de repente aquele "rabujento" que só ficava embaixo da mesa resolve correr atrás da bolinha novamente... E então fica muito evidente que ele não tinha alterado seu comportamento, só estava tentando se comunicar.